A tendência DevOps e como ela se relaciona com o profissional de TI

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Por Gabriela Dias

No último ano, a empresa Gartner, em seus famosos relatórios de tendências, previu que a transição para uma TI Ágil nas organizações é algo inevitável tanto sob a ótica do desenvolvimento como de operações. Na Tecnologia da Informação, a transformação digital é um tema que está em voga, e o fato de que ela será possível nas empresas somente através da adoção de métodos ágeis é indiscutível. Mas como o DevOps contribui para uma TI Ágil?

A resposta para essa pergunta é muito simples, embora DevOps seja um termo tão amplo e cada um tenha sua própria perspectiva e opinião. A cultura DevOps surgiu quase que como uma consequência do Manifesto Ágil, movimento em que as equipes de desenvolvimento começaram a entregar releases de softwares de forma mais rápida. Isso gerou uma certa preocupação por parte da área de operações, que passou a precisar acompanhar essa velocidade sem reduzir a qualidade e, principalmente, a estabilidade do ambiente.

Nesse sentido, podemos dizer que o DevOps surgiu para unificar as práticas de desenvolvimento ágil e outras metodologias para todos os segmentos da TI, criando uma verdadeira união entre o gerenciamento de toda a infraestrutura e o desenvolvimento de softwares.

Isso gera benefícios riquíssimos para as organizações, entre os quais podemos destacar a melhor comunicação e a maior colaboração entre as áreas de desenvolvimento e infraestrutura, reduzindo os conflitos históricos que essas áreas possuem entre elas.

Isso resulta em um aumento da produtividade, possibilitando entregas mais rápidas e de maior qualidade, além de reduzir a quantidade de falhas na implementação das mudanças, garantir um melhor desempenho e estabilidade nos ambientes, diminuir o tempo de paradas e indisponibilidade e, consequentemente, aumentar o valor do negócio.

A RightScale disponibiliza anualmente um estudo que tem como principal objetivo analisar como está a adoção de Cloud e DevOps no mundo. No ano passado, chegamos a números impressionantes – 84% das grandes corporações e 72% das pequenas e médias empresas estão adotando DevOps -, que nos mostram que nos próximos anos é possível que o DevOps esteja presente em todas as empresas que buscam acompanhar a velocidade e a competitividade do mercado atual.

Nota-se o quão expressivo é o impacto que o DevOps vem gerando em indivíduos e organizações que buscam inovação e excelência na oferta de produtos e serviços. Se analisarmos os últimos cinco anos, veremos como é valorosa a proposta colocada pelo DevOps, pois não apenas surgiram ferramentas que auxiliam a implementação do DevOps em uma organização, como também foram criados diversos cargos para que seja possível sustentar a adoção desse novo cenário.

Considerando as ferramentas, um grande exemplo a ser destacado é o Docker, que irá completar cinco anos de existência em março de 2018 e já revolucionou a forma como entregamos softwares e administramos servidores baseado em containers. Certamente ações como criar uma pipeline de entrega, escalar aplicações, monitorar ambientes, trabalhar com microsserviços, entre outras, ficaram mais fáceis depois do surgimento do Docker.

No evento DockerCon de 2017, o CEO do Docker, Ben Golub, compartilhou algumas estatísticas sobre o uso do Docker nos últimos anos. Vale ressaltar entre elas o aumento de 77.000% da referência ao Docker nas vagas de emprego divulgadas não só para a área de desenvolvimento, onde cada vez mais as empresas estão repensando suas aplicações para rodar em containers, como mas também na área de infraestrutura, principalmente exigindo habilidades de orquestração e clusterização de infraestruturas baseadas em Docker.

Se analisarmos por uma ótica de carreira, o DevOps também possibilitou uma roupagem diferente para alguns cargos, dando uma relevância maior a equipes multidisciplinares. Enquanto na TI tradicional, desenvolvedores de softwares ficavam isolados e precisavam ter apenas habilidades em desenvolvimento, quando adotamos uma cultura DevOps, é esperado que os times trabalhem unidos e que ambas as áreas tenham um conhecimento mais abrangente, sendo necessário sair um pouco de sua zona de conforto.

Não apenas surgiram cargos específicos relacionados a DevOps nesses últimos anos, como Arquiteto DevOps, Engenheiro DevOps, Analista DevOps, que buscam profissionais que consigam navegar muito bem entre desenvolvimento e operações, como também cargos tradicionais passaram a receber uma influência do DevOps em seus títulos e em suas descrições, como DBA DevOps e Analista de Infraestrutura DevOps, como informa um estudo feito no site Indeed, que é um dos principais sites de recrutamento do mundo:

“O número de empregos que mencionam DevOps cresceu 1485% nos últimos quatro anos” .

Para contribuir com esse panorama, diversas empresas como a AWS e a Microsoft começaram a criar certificações profissionais como uma forma de qualificar profissionais para o mercado de trabalho, auxiliando os empregadores na hora de selecionar candidatos e garantindo que estes possuam habilidades que de fato irão contribuir para a adoção de DevOps em suas organizações.

Só em 2017, duas grandes instituições do ramo de certificações lançaram suas certificações DevOps: a Exin, trazendo uma proposta de certificação mais teórica focada nos pilares e práticas DevOps que um candidato precisa dominar para estar apto a fazer parte de times que visam à adoção do DevOps, e a LPI – Linux Professional Institute, com uma proposta mais técnica criando uma certificação com base nas principais ferramentas que um profissional precisa dominar para de fato fazer o DevOps acontecer.

O mais interessante dessa última certificação é que a prova exige conhecimentos não só em administração de sistemas, abordando ferramentas como Puppet, Docker, Vagrant e Ansible em sua lista de pré-requisitos, como também exige conhecimentos em desenvolvimento de software, cobrando habilidades em ferramentas como Git e Jenkins, o que reafirma a importância de um profissional mais completo.

Com isso, conseguimos ver uma pequena amostra para nos dar uma visão da importância para nós, profissionais de TI, estarmos bem posicionados com relação a DevOps e metodologias ágeis, não só para elevar o nível de nossa carreira profissional, como também para sermos protagonistas na estratégia de transformação digital de nossas respectivas empresas, seja você um colaborador ou empreendedor.

Que tal começar este ano revendo como está sua estratégia voltada para o DevOps para que você realmente faça a diferença em 2018?

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